4 de outubro de 2009

A Morte da Estrela

Quão longa ou quão curta é a vida de uma estrela? Elas, como tudo o que há, não são eternas. Medir esse tempo é incerto. A imensidade de algo sucumbe ante a sua intrínseca finitude.

Tive eu, já certa vez, uma estrela. Tão fugaz e efêmera que nem sei quantas Eras passaram antes que eu a perdesse. Estando, preguiçoso amador, a fitar o firmamento pontilhado, vi, após longo tempo, uma estrela que nunca havia visto me sorrir o mais encantador dos sorrisos estelares. Todas as noites, então, admirava a estrela enquanto ela sorria.

A admirei tanto que minha alma se perdeu, alçou o céu noturno até beijar a estrela por tantos segundos que o Universo se manteve inalterável. E terminou. Minha alma caiu com o perfume entranhado e a estrela sumiu.

Foi embora, deixando para trás o rastro dourado da cabeleira meteórica que ainda brilha com saudade em meus olhos.

Não, não caiu, vindo ao meu encontro, incendiando a minha vida em poeira cósmica. Impassível que era em abandonar as alturas das suas certezas. Não, não morreu, minha alma ainda fareja o seu perfume.

Agora, nas noites de insônia, que são todas, com cem rugas a mais no rosto, observo o céu. E toda estrela que sorri me alegra. Até perceber que não é ela a minha estrela sorrindo. E prossigo a minha busca carrancudo.

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