21 de novembro de 2007

Direitos Humanos

Direitos humanos para humanos direitos.

Existem humanos que reprovam humanos que matam humanos, aprovando então a morte desses humanos matadores de humanos. Tornam-se assim, também humanos matadores de humanos.

Humanos direitos. Direitos humanos.

Os humanos direitos aos direitos humanos são exclusivos a aqueles que não matam humanos direitos. Parece que os humanos deixam de ser humanos ao contrariarem os direitos humanos. Como se a morte da dignidade e da esperança não contrariasse os direitos humanos.

Direitos humanos. Humanos.

Deixei

Deixei de almejar as alturas.
Deixei de abrir as janelas.
Deixei de passar pelas portas.
Deixei de mergulhar em águas bravias.
Deixei de caminhar pelas estradas.
Deixei.

12 de novembro de 2007

Aforismos

Quanto mais eu sei o que sei, menos eu sei se sei o que sei.

Como posso compreender os mistérios do mundo e da vida se não compreendo nem as obviedades?

"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Marcos 12:17). Mesmo que César tenha direito a tudo.

O Homem é o ser com a inconsciência do timing. Fala quando deveria calar e cala quando deveria falar.

É preciso enganar-se para alegrar-se.

Felicidade é a venda nos olhos da ignorância.

Diário do Eloqüente (12/11/2007)

Loquaz diário, hoje peguei um ônibus. Me sentei. Pouco depois, uma bonita moça se aproximou e perguntou, apontando a poltrona vazia ao meu lado:

- Está ocupada?

- Não. - respondi.

- Posso sentar?

- Pode.

- Obrigada!

Ela ficou afim de mim, é claro. Mas era tímida demais pra tomar uma iniciativa.

17 de outubro de 2007

Vida de Mariposa

Estava indo para a faculdade quando a van parou num semáforo e olhei pela janela. Tentando atravessar a rua vi uma mariposa ferida: não conseguia voar. O deslocamento de ar provocado pela passagem dos carros velozes interrompia seu avanço teimoso, arremessando-a ao ponto de partida, apesar da luta dela para se agarrar ao chão.

Cada automóvel que passava e não a esmagava lhe concedia instantes mais de tentativas para chegar ao outro lado.

Enxerguei naquela mariposa, uma pequena metáfora de nossas próprias vidas. Também nós ansiamos por objetivos banais e sem propósito, como um simples atravessar de rua, na esperança de que o outro lado seja melhor que este. Também só nos agarramos firmemente a esses objetivos, resistindo às rajadas de vento. também nós arriscamos a vida por esses objetivos. Riscos que nem precisam representar possibilidade de morte.

Nossa vida é uma vida de mariposa. Mariposa que não voa.

5 de outubro de 2007

45 Dicas Para Escrever Bem

Bom, a idéia é velha. O texto também: eu o escrevi há mais de um semestre. Nem quis recolocá-lo no retorno a esse blog. Mas para garantir a visualização das fabulosas dicas e me auto-creditar a autoria do texto (que alcançou outros endereços eletrônicos, uau!), reapresento a vocês meu singelo manual em rápidas 45 dicas irônicas para você escrever bem:

1- Use as, vírgulas nos, lugares certos.

2- Não faça muitas citações, como diz meu professor João, "quem cita os outros não tem capacidade própria de pensar e escrever".

3- Iscreva portugueis direito. Hortografia coreta é eçenssiau.

4- Jamaix iskeva axim miguxo, xi naum eu fiko tixti.

5- Não abuse dos pontos de exclamação!!!!!! Só um já é o suficiente!!!!!!!!

6- Você Não Deve Escrever As Iniciais De Todas As Palavras Em Maiúsculo Se Não For Um Título.

7- Cuidado com as redundâncias pleonásticas repetitivas.

8- Vá direto ao ponto mais ou menos específico aproximado.

9- N use aqlas abrev da net, pq tvz ngm entenda.

10- Por que as pessoas não colocam mais ponto de interrogação nas suas perguntas. Será que todos são obrigados a adivinhar que aquilo é uma pergunta.

11- Não escreva palavrões, seu filho-da-puta!

12- Cuidado com os parônimos! Confundi-los pode discrever uma sentença completamente deferente da pretendida.

13- Nãoamontoeaspalavras,senãodeixarespaçonãodáparaentendernada.

14- desde o ensino fundamental aprendemos que substantivos próprios começam com letra maiúscula. essa é uma regra de gramática tanto aqui no brasil, quanto na antuérpia.

15- Não use à crase onde ela não existe.

16- Exagerar é 100 bilhões de vezes pior que o comedimento.

17- Frases incompletas são

18- Voce nao podera esquecer da acentuaçao e do til.

19- Doravante Vossa Mercê obliterá arcaísmos.

20- O uso de parênteses (mesmo quando relevante) é desnecessário.

21- Seja incisivo e confiante. Ou não. Talvez...

22- Quem precisa de perguntas retóricas?

23- Passe a borracha nas gírias, mesmo que sejam show de bola, tá ligado?

24- A voz passiva deve ser evitada.

25- Mesóclises, evitá-las-á a todo custo.

26- Não fique escrevendo no gerúndio, pois seu texto vai dando a impressão de estar sempre continuando, nunca tendo um fim.

27- Não coloque rostinhos feitos com símbolos no texto ; -)

28- Não use reticências...elas dão a sensação de...imprecisão e...incerteza...

29- Você já sabe da importância dos sinais de pontuação não é mas é sempre bom lembrar pois é imprescindível

30- O plural são necessário em todas a palavras da frase.

31- Não coloque “aspas” em “tudo”, como que “para tirar o seu da reta”.

32- Superlativos são prejudicialíssimos para o seu texto.

33- Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

34- Não escreva frases com uma só palavra. Jamais!

35- Nunca generalize. Generalizar sempre é um erro.

36- NÃO ESCREVA EM CAIXA ALTA, PORQUE ISSO SIGNIFICA QUE VOCÊ ESTÁ GRITANDO. E GRITAR NÃO É NADA EDUCADO.

37- Conforme recomenda a SIFUD, nunca use siglas desconhecidas.

38- Atrapalhar-se com homônimos pode transformar a cessão do seu texto numa seção de terror.

39- Analogias são tão úteis quanto mamilos num urubu.

40- Desnecessário faz-se redigir um escrito deveras rebuscado. Tal ufania advém do esmero exacerbado que beira o exibicionismo narcisístico.

41- Metáforas são como pooddles de guarda, não servem pra tarefa e só enchem a paciência.

42- Cuidado para não repetir a mesma palavra. Prefira um sinônimo à palavra repetida. A repetição de uma palavra pode torná-la repetitiva, já que essa palavra vai sendo repetida palavra após palavra, numa grande repetição de palavras repetidas.

43- Não use ditos populares, em boca fechada não entra mosca.

44- Evite frases exageradamente longas, como já nos ensinavam os antigos gregos, em que a habilidade da retórica, ou seja, de falar muito sem nenhum objetivo aparentemente real, também não era bem visto, porque já naquela época sabiam que frases longas demais acabam por abarcar conceitos e temas muito diversos, o que obriga o leitor a se esforçar mais do que o necessário para separar os argumentos, fato que não deveria fazer parte da função de ler um texto, mas torná-lo inteligível através de frases mais curtas que não cansassem o leitor.

45- Uma barbaridade que tu deves evitar vivente, é usar expressões exclusivas da querência onde tu moras tchê! Ou teu texto fica tri ruim.

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Inspirado (com modificações e ampliações) em um texto em inglês no endereço: http://www.ruf.rice.edu/~bioslabs/tools/report/wrules.html . Algumas traduções foram feitas e circularam pela internet com alguma freqüência.

13 de setembro de 2007

Colóquio com a Morte

Humano existiu por um tempo, mas não um tempo suficiente, pois o Tempo nunca é o bastante para o Humano. Mesmo assim, a Morte lhe veio:

- É chegado o teu momento, Humano.
- Quem é você, criatura abominável? E de que momento está falando?
- Eu sou a Morte. Sou abominável a teus olhos porque a tua própria vida te foi abominável. Sou o reflexo da Vida.
- Então veio para me tirar a Vida?
- Sim.
- Como poderá tirar o que nunca tive?
- Se não teve, foi porque não quis.
- Como poderia querer algo que nunca conheci?
- Não conheceu porque foi cego. Então não a viu durante todas as manhãs? Todo o tempo desde que nasceu?
- Não a distinguia. E como poderia? Não é ela algo volúvel e indefinível? Por que ela nunca veio a mim dizer “olá Humano, eu sou a Vida”?
- Não posso explicar os motivos da Vida.
- Então quem pode?
- Você, Humano. Somente você pode.
- Passei o Tempo procurando a Vida e só encontrei a Morte?
- Sinto muito. Talvez, se tivesse procurado a mim, tivesse encontrado com ela.

Humano se afundou em seu último momento de melancolia. A Morte preparou a arma, quando foi interrompida:

- Espera! O que é que vem depois de ti?
- Logo você saberá.

E o Humano morreu sorrindo. Finalmente saberia alguma coisa. Teria uma certeza. Assim a Morte o prometeu.

- Ou não. – lamentou a Morte.

10 de setembro de 2007

Migração

Retornei a usar esse blog aqui. Por isso tantas postagens hoje.

Mas porque ainda continuo a ter blogs se não sou lido? Ao escrever, o escritor não quer ser lido? Talvez. Mas talvez eu esteja aqui escrevendo isso apenas porque gosto de escrever, mesmo que não seja lido. É, na verdade, quase uma maneira de falar sozinho. E isso é bom, eu me acho uma excelente companhia a a mim mesmo...

Continuarei aqui escrevendo. Porque pelo menos esse é um lugar onde posso guardar meus escritos sem encher gavetas, espaço físico é um negócio raro hoje, quase um luxo. Ademais tem as traças, os incêndios, as faxinas: o papel é tão frágil...

Diário do Eloqüente (10/09/07)

Loquaz diário, hoje tive uma exaustiva conversa na padaria:

- Bom dia, posso ajudá-lo?
- Pode.
- …
- …
- O que vai querer?
- 4 pãezinhos.
- Mais alguma coisa?
- Sim.
- O quê?
- Presunto e queijo.
- Quanto?
- 100 gramas.
- De cada?
- Isso.
- Obrigada, tenha um bom dia.
- Aham.

Conversa demais por um dia.

A voz do buraco

Tenho a tendência de entrar em “buracos” emocionais. Buracos não são profundos como poços, então, mesmo que eu chegue ao fundo do buraco, isso não será tão longe quanto o “fundo do poço”.

E nem precisa ser uma armadilha com gravetos e folhas ocultando o buraco. Eu mesmo, quando vejo um buraco dando sopa, não perco meu tempo e me arremesso logo pra dentro. Daí eu fico lá, curto o visual e tal… Até ver aquela luz sedutora e salvadora lá em cima; cavo uma escada e saio. Sozinho, sempre sozinho, é assim que deve ser: entrar e sair do buraco sozinho, sem ajuda e sem que ninguém (ou mínimo de pessoas possível) veja.

A paisagem mais estúpida e vulgar se torna maravilhosa aos olhos depois que se sai das trevas de um buraco. Talvez por isso eu goste tanto de buracos, a visão sempre se renova.

Algumas pessoas são capazes de produzir grandes obras quando dentro de um buraco, verdadeiros monumentos à tristeza e ao desespero. Outras cometem seus piores erros quando estão emburacadas. Acho que pertenço ao segundo grupo…

É humilhante para eu admitir esse meu lado depressivo, egoísta, procrastinador e auto-destrutivo. Mas faz parte de mim. Negar ou ignorar seria hipocrisia, não gosto de mentir, principalmente a mim mesmo. Portanto, confesso-me integralmente melancólico.

E essa foi mais uma declaração em que minha voz saiu do buraco. Para leituras mais agradáveis, aguarde minha saída.